Dia D
Spielberg em seu habitat alienígena
Assisti a Dia D há quase duas semanas, mas não poderia deixar de escrever sobre um dos melhores filmes do ano. Acho a experiência de assistir a um Spielberg no cinema quase religiosa — na verdade, isso vale pra qualquer cineasta cuja carreira já atravessa décadas. Mas Steven Spielberg tem algo a mais. Talvez seja seu estilo de direção, tão cativante com seu steadicam e travellings de tirar o fôlego. Seus filmes têm movimento, têm cor, luz e sombra… enfim, exalam Cinema com C maiúsculo. Assisti-los na telona é especial.
E Dia D, seu primeiro longa sobre alienígenas em mais de 20 anos (Guerra dos Mundos é de 2005 e eu me lembro até hoje de correr pra locadora à sua procura), é um excelente retorno ao gênero de ficção-científica. Em 2018, tivemos o sci-fi Jogador Número Um sob o comando de Spielberg, mas não é a mesma coisa. É bem mais legal quando ele volta à temática dos ETs, dos humanos se envolvendo com algo inimaginável — ainda mais quando a história é fruto de sua imaginação, como é o caso desse lançamento. O roteiro lapidado por David Koepp, parceiro de longa data do diretor, é muito efetivo em entregar um tom misterioso e, ao mesmo tempo, divertido para essa jornada.
E que jornada! Encabeçando o elenco, temos Emily Blunt como uma jornalista que, atualmente, trabalha como “a mulher do tempo” numa emissora do Kansas, Josh O’Connor como funcionário de uma empresa misteriosa que rouba informações perigosas, e Colin Firth como uma das cabeças dessa corporação que precisa fazer de tudo para impedir a divulgação das mesmas. Mas o mais interessante é o pano de fundo da história: o mundo está à beira de uma III Guerra Mundial e, ao que tudo indica, ninguém prestaria muita atenção em eventos extraterrestres.
Sem entrar em spoilers, acho que o que mais funciona em Dia D é justamente o que eu falei antes sobre o estilo de direção do cineasta. São inúmeras cenas tensas, de tirar o fôlego mesmo (como a da perseguição na fazenda isolada, por exemplo, com a câmera acompanhando o personagem de Josh em sua tentativa de fuga). É impressionante como o filme funciona a partir das emoções de seus personagens, indo além das informações que o roteiro nos entrega. Até porque, até o terceiro ato, pouquíssimo se sabe sobre os seres de outro planeta ou o que eles querem da Terra.
Por outro lado, reflexões envolvendo religião e o impacto de uma confirmação de vida extraterrestre na sociedade global se fazem presentes — caminho esse um tanto inesperado, é verdade, mas que me agradou bastante. Spielberg mantém os pés no chão e os olhos na humanidade enquanto eles tentam falar com a gente. A ação é importante, mas não é o foco principal. Assim como os ETs, Spielberg também quer dizer algo. E, diante disso, os personagens principais seguram muito bem o todo.
Emily Blunt está excelente no papel de Margaret e traduz bem essa coisa da emoção que move o filme. Sua personagem possui uma ligação profunda com esses seres e, por razões óbvias, está assustada com o impacto dessa novidade em sua vida. A forma como o caminho de Margaret cruza com o de Daniel (O’Connor) faz o filme entrar ainda mais nos trilhos, enquanto nos conduz para um desfecho que dá gostinho de quero mais.
Dia D continua em cartaz nos cinemas. Quem já viu?
Por aqui, estou bem focada nas séries e, no momento, estou assistindo a 5ª temporada de O Urso e a 2ª de Seus Amigos e Vizinhos. Como votante do Globo de Ouro pelo quarto ano seguido (é muita honra!), preciso estar em dia com bastante coisa.
Até a próxima!


Assisti e ameei também! Emily Blunt tá impecável!